Despedida da chucha

As chupetas, semeadoras da discórdia no seio de tantas famílias, amigas leais em algumas das horas difíceis com os pequenos (uma bênção!) e, no entanto, subtilmente causadoras de tantos danos. Mas afinal, o que faz da “chupeta” um tema tão controverso?

Sabemos, do senso comum, que a chupeta é o nosso maior aliado na hora de tranquilizar o bebé, isto porque, já dentro do ventre materno, existe o chamado “reflexo de sucção”, utilizado como forma de autocontrolo, auto-regulação e, portanto, gerador de conforto. Todo este processo é inato, natural, necessário ao desenvolvimento do bebé. Faz parte de si e deve ser respeitado!

A chupeta constitui então uma fonte de segurança e de conforto nos primeiros anos de vida da criança. No entanto, quando a utilização da chupeta é prolongada além dos 2 anos de idade, esta pode provocar sérias deformações na arcada dentária, influenciando funções como a deglutição ou a articulação de alguns sons. Quem nunca ouviu falar nos chamados “sopinhas de massa”? Muitas das vezes, esta peculiar forma de articular alguns dos sons da nossa língua está associada a este tipo de deformações na arcada dentária, causadas pela chupeta.

Deste modo, é aconselhado que o uso da chupeta seja interrompido a partir dos 2 anos de idade.

Tendo em conta que a utilização da chupeta constitui uma atividade de autocontrolo que organiza e tranquiliza a criança, deixar a chupeta pode tornar-se um momento difícil que pode despoletar na criança tristeza, agitação, ansiedade, medos e dificuldades em adormecer.

Para que o desmame seja feito de uma forma mais tranquila, existem algumas estratégias que poderão ser úteis para ajudar as crianças.

Poderá estabelecer-se, em conjunto com a criança, uma data para deixar a chupeta, começando a preparar esse momento progressivamente.

Outras estratégias que poderão ser postas em prática consistem em distrair a criança sempre que esta solicite a chupeta (ex.: ler uma história, conversar com a criança ou brincar), ou criar em seu redor um clima e sentimento de segurança, sobretudo na hora de dormir, demonstrando que não há perigo nenhum e que tudo vai ficar bem. O processo de desmame da chupeta não deve ser realizado repentinamente e os pais não deverão adotar métodos drásticos (ex.: colocar substâncias amargas na chupeta) nem atitudes penalizadoras, de modo a não criar insegurança na criança. É ainda importante evitar comentários negativos ou o recurso à infantilização.

O mais importante, durante o desafio de deixar a chupeta, é que os pais transmitam à criança a confiança e a segurança de que ela necessita.

Scroll to top