A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) é, tal como o nome indica, uma perturbação mental, pelo que NÃO É “ter a mania das limpezas”, “gostar de organização” ou “lavar muitas vezes as mãos”. Estes são apenas alguns exemplos daquilo que é recorrentemente descrito como sendo a POC, mas que, tidos em conta isoladamente, não permitem um diagnóstico. Poderá tratar-se de comportamentos ou traços de personalidade efetivamente presentes em pessoas que recebem o diagnóstico de POC – Perturbação obsessivo-compulsiva, mas não necessariamente.
Características:
Primeiramente, a presença de obsessões, compulsões ou ambas. As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e persistentes, experienciados como intrusivos e inapropriados, o que, na maioria dos casos, causa ansiedade ou mal-estar intensos. Os “temas” mais comuns das obsessões estão relacionados com contaminação/doença, dúvida e a necessidade de fazer as coisas segundo uma ordem particular, mas estas também podem surgir como imagens sexuais ou impulsos agressivos. Pelo seu caráter intrusivo, a pessoa tem dificuldade em ignorar as obsessões ou fazê-las desaparecer, procurando neutralizá-las com algum outro pensamento ou ação.
É neste processo que normalmente surgem as compulsões, que são comportamentos repetitivos (por exemplo, lavar as mãos) ou atos mentais (por exemplo, contar ou repetir palavras) que a pessoa se sente compelida a executar em resposta a uma obsessão e que têm como objetivo evitar ou reduzir a ansiedade, ou prevenir alguma situação temida. No entanto, é comum que estes comportamentos ou atos mentais não estejam ligados de um modo realista com aquilo que pretendem neutralizar ou são claramente excessivos. Para além disso, as obsessões e/ou compulsões são consumidoras de tempo (muitas vezes, mais do que 1 hora por dia), causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou noutras áreas importantes da vida da pessoa.
Por fim, é importante que a avaliação desta perturbação permita verificar que os sintomas obsessivo-compulsivos não são efeito de uma substância (droga de abuso ou medicação) ou resultado de outra condição médica ou perturbação mental.
Tendo em conta a informação anteriormente descrita, torna-se possível compreender o quão complexa e incapacitante a Perturbação obsessivo-copulsivo pode ser.
Em muitos casos, a pessoa experiência níveis de ansiedade elevadíssimos e pode ficar refém de pensamentos e comportamentos que condicionam significativamente o funcionamento nas diferentes áreas da sua vida. Por essa razão, sejamos mais sensíveis e atentos àqueles que nos rodeiam: à mãe que verifica as coisas várias vezes, ao tio que toda a gente considera hipocondríaco, a(o) irmã(o) que evita ficar sozinha(o), ao amigo que tem superstições e age muitas vezes de acordo com as mesmas.
A verdade é que estes aspetos poderão não ser reflexo de uma perturbação, mas, ainda assim, afetar o funcionamento da pessoa de uma forma que é significativa para si. E também é verdade que pode fazer toda a diferença se as pessoas à sua volta tiverem uma abordagem que não é de desvalorização ou até gozo; talvez a pessoa sinta que pode falar sobre estas questões, que não precisa de se isolar e que a ajuda existe.
Muitas vezes não é mania, não é exagero e não é uma fase.
Muitas vezes, a ajuda profissional é fundamental e um(a) Psicólogo(a) pode ajudar!
