Agressividade entre Pais e Filhos

A agressividade entre pais e filhos é um tema sensível e, muitas vezes, carregado de culpa, frustração e desespero. Quer se trate de comportamentos agressivos da criança para com os pais, quer de reações agressivas dos próprios pais perante os filhos, estes episódios revelam dificuldades na gestão emocional e têm impacto profundo na relação familiar.

A agressividade infantil pode manifestar-se de diversas formas:

  • Verbalmente: gritos, insultos, ameaças
  • Fisicamente: pontapés, empurrões, bater em pais, irmãos ou colegas
  • Comportamentalmente: destruição de objetos, birras explosivas, recusas constantes

Estes comportamentos são frequentemente formas de expressão de emoções intensas que a criança ainda não consegue compreender ou regular sozinha. Salienta-se que o Papel dos Pais na Relação Emocional das crianças são o primeiro modelo emocional da criança, e quando esta relação é marcada por:

  • Uma comunicação agressiva ou punitiva;
  • Ausência de limites claros e consistentes;
  • Um ambiente familiar tenso ou negligente

… a criança pode desenvolver formas agressivas de expressar emoções ou responder à frustração. Com o tempo, instala-se um ciclo vicioso difícil de quebrar.

É importante relembrar que a agressividade não surge do nada. Diversos fatores contribuem para o seu aparecimento, tais como, a imaturidade emocional, ou seja, crianças pequenas ainda não possuem ferramentas para lidar com emoções intensas como a raiva ou a frustração. A modelagem de comportamentos, isto, porque as crianças aprendem por observação, logo, se presenciarem agressividade (verbal ou física), é natural que a reproduzam. e por último, frustrações acumuladas, por exemplo: mudanças familiares, dificuldades escolares ou desafios nas relações sociais são fontes de tensão emocional.

 

Mas… e quando São os Adultos que Perdem o Controlo?

Pais cansados, sobrecarregados com o trabalho e as exigências do dia a dia, muitas vezes encontram-se emocionalmente exaustos. Nestes momentos, podem surgir gritos, ameaças ou mesmo comportamentos agressivos, quase sempre seguidos de arrependimento. É necessário compreender que este tipo de reação não transforma os adultos em “maus pais”, mas é um sinal claro de que também eles precisam de apoio emocional e psicológico, nestas alturas é importante:

  1. Cuidar da regulação emocional do adulto pois, um adulto calmo, mas firme, torna-se um porto seguro para a criança.
  1. Estabelecer limites com empatia, porque os limites devem ser guias para a segurança emocional da criança e não punições. Precisam ser claros, consistentes e bem explicados.
  1. Reforçar positivamente o bom comportamento, como elogiar e valorizar os momentos em que a criança consegue autorregular-se ajuda a consolidar comportamentos saudáveis.
  1. Procurar ajuda especializada, a psicologia infantil é uma ferramenta eficaz para ajudar a criança a compreender e lidar com as suas emoções.
  1. Investir em orientação parental, pois permite desenvolver estratégias adequadas para lidar com os desafios da parentalidade, de forma mais tranquila e eficaz.

Assim, a agressividade entre pais e filhos é, muitas vezes, um pedido de ajuda emocional,  um sinal de que algo precisa de ser olhado com mais atenção e empatia. Tal como, apoio, compreensão, e reconstrução da relação, é possível transformar a agressividade em crescimento emocional e conexão genuína, tanto para as crianças como para os pais.

 

Micaela Bento – Psicóloga CP nº 133838

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