Sabia que o sabor dos alimentos estimula de forma muito especifica o funcionamento dos seus órgãos? Alguma vez pensou que comer alimentos crus e frios poderá influenciar negativamente o seu organismo se quiser emagrecer?
Nos dias que correm, em que somos bombardeados por tantos conceitos de nutrição, superalimentos, planos alimentares hiperproteicos, hipocalóricos, etc,etc, verifico que os alimentos e planos alimentares são recomendados de acordo com calorias, macro nutrientes (hidratos de carbono, proteínas, lípidos), micro nutrientes (vitaminas, minerais), aquilo que eu vou chamar de “componente numérica” dos alimentos…e toda a parte sensorial fica completamente esquecida. Quando falo de parte sensorial refiro-me a por exemplo ao sabor dos alimentos e ao impacto que este vai ter no funcionamento do nosso organismo.
Na dietética de acordo com a Macrobiótica e Medicina Chinesa, a análise é feita tendo e conta esta métrica sensorial e energética: os 5 sabores e sua respetiva afinidade e ação nos nossos órgãos/vísceras, a sua temperatura, o movimento que induzem (se são alimentos contractivo, dispersivos, ou com ação ascendente ou descente), o impacto dos métodos culinários utilizados e a adaptação da alimentação de acordo com as estações do ano. Na minha perspetiva uma análise não invalida a outra, na verdade complementa-a, permitindo-nos ir mais além no nosso aconselhamento e ter a máximo personalização no plano alimentar e em todo o processo terapêutico.
Segundo a Medicina Chinesa, o mundo dos sabores, é muito importante quando recomendamos um alimento. Como exemplo dou-vos o sabor Doce, que tem afinidade para o movimento Terra, que corresponde ao nosso Baço-Pâncreas/Estômago. Assim, perante um problema que afete o Estômago, usar o sabor doce de qualidade, que conseguimos obter dos cereais integrais como o arroz ou millet, o uso de legumes doces como a cenoura, abobora, couve coração, cebola ou cabeça de nabo irá ajudar o organismo no seu processo de recuperação.
Os alimentos induzem também um determinado movimento: o sabor amargo tem uma direção descendente. Se o objetivo for eliminar (como em processos de emagrecimento ou tratamento de uma obstipação), esses sabores devem ser privilegiados. Assim consumir chicória, alcachofra ou dente-de-leão (cujos sabores são amargos) irá sem dúvida ajudar.
Os alimentos têm também uma temperatura: mais fria, fresca, neutra, morna ou quente. A canela por exemplo, tem uma natureza quente; os alimentos mais quentes ajudam-nos a acelerar e aquecer. Assim, num individuo que sofra de palpitações cujo diagnóstico (segundo a Medicina Chinesa seja uma síndrome de “fogo no coração”) o consumo de canela será desaconselhado pois poderá agravar o quadro presente.
Num contexto terapêutico, ter em consideração todos os nutrientes essenciais para o nosso paciente e garantir um aporte calórico equilibrado é importante. Mas todas as outras características inerentes ao alimento não podem ficar esquecidas e irão ser determinantes nos nossos resultados! Mas vamos a mais exemplos!
Numa dieta hiperproteica rica saladas e lacticínios como iogurtes, queijo fresco, poderá tudo bater certo em termos de teor de proteína e calorias, mas numa mulher que tenha problemas menstruais (irregularidades, dor) ou problemas de fertilidade, será altamente desaconselhado consumir estes alimentos por terem uma característica fria (de acordo com a Medicina Chinesa algumas destas situações podem atribuir-se a uma síndrome designada de “frio no útero”).
Numa pessoa obesa (que de acordo com a Medicina Chinesa poderá ter um síndrome de vazio de Yang), o consumo de saladas, por mais equilibradas que sejam em termos calóricos, irá dificultar o processo de emagrecimento, por serem alimentos com caraterísticas frias e cruas – nestes casos de formar a tonificar o Yang em vazio, os alimentos a privilegiar deverão ter uma natureza mais morna e de preferência devem ser consumidos sempre cozinhados; poderão ser também usados condimentos com características quentes, que ajudem aquecer, mover e ativar o organismo. Para finalizar, deixo-vos um desafio: Numa próxima ida ao supermercado, quando estiverem a ler um rótulo de um alimento ou a compra frutas e verduras, lembrem-se de observar e analisar para além de calorias e macronutrientes e pensem em todos os pontos aqui falados: que sabor tem? Que sensação me transmite quando os consumos Que métodos culinários uso mais regularmente para preparar estes alimentos?
Quando tiverem um problema de saúde em mãos, lembrem-se que somos aquilo que comemos, mas também o que digerimos, absorvemos e eliminamos– se o seu corpo manifesta um desequilibro a sua alimentação terá de ser igualmente corrigida como um todo, e não apenas pelas calorias e os nutrientes que ingere.”

