Durante as férias, é normal alterarmos as nossas rotinas. O regresso ao trabalho pode ser mais ou menos fácil, dependendo da forma como gerimos a alimentação, o sono e a prática de exercício físico. Estas são áreas que têm impacto quando regressamos à rotina. Aliás, o voltar à rotina e a forma como o fazemos também têm muito peso.
Há quem utilize o termo “depressão pós-férias”, devido ao sentimento de tristeza que surge depois de passarmos por momentos muito bons. No entanto, é importante referir que a “depressão pós-férias” não existe nas classificações de doenças. O que poderá acontecer é uma reação de ajustamento, que se manifesta através de sintomas psicológicos associados à adaptação a uma realidade nova, neste caso, o regresso à antiga.
Se tivermos um trabalho que nos permita um regresso mais leve, em vez de uma mudança abrupta logo após o fim das férias, ótimo! E se, nos dias anteriores ao término das férias, conseguirmos adaptar os horários de sono, para evitar começar a primeira semana de trabalho completamente esgotados, melhor ainda!
É normal que surjam sintomas psicológicos, pois trata-se de uma fase de readaptação. O que seria estranho seria não sentirmos qualquer impacto. O importante é saber lidar com esses sintomas psicológicos e readaptarmo-nos. Assim, a readaptação deve ser gradual: tentar que, no momento do regresso, o horário de sono já esteja mais ou menos ajustado, ou, com alguma sorte, ter um trabalho que permita um início de regresso mais leve, menos intenso do que estava antes de irmos de férias.
Claro que sabemos que manter as rotinas saudáveis durante as férias não é a realidade da maioria das pessoas. Nas férias, tem-se menos cuidado com o que se come, bebe-se mais álcool, faz-se noitadas…
O regresso à rotina pode gerar ansiedade e stress que é natural. Não só pelo facto de se ter que regressar ao trabalho que, entretanto, se acumulou, mas também pela necessidade de conciliar novos ritmos profissionais com os familiares. Para quem tem filhos, por exemplo, o fim do verão significa o regresso à escola, o que traz novas tarefas.
Algumas sugestões para um regresso mais saudável:
- – Evitar que o último dia de férias coincida com a véspera do regresso ao trabalho.
- – Ajustar gradualmente os horários e as rotinas. Alguns dias antes, começar a organizar as tarefas da casa, para a que a transição seja mais leve.
- – Programar o regresso ao trabalho a meio da semana. Por exemplo, regressar numa quarta feira permite trabalhar apenas três dias antes do fim de semana, suavizando o impacto da mudança.
- – Levantar-se um pouco mais cedo do que o necessário, para ter tempo para cuidar de si, como tomar um bom pequeno-almoço tranquilamente e sem pressas.
- – Aproveitar o regresso para fazer mudanças na sua vida e melhorar o seu bem-estar, como a criação de novos hábitos.
- – Organizar a agenda e definir prioridades claras, começando, se possível, com tarefas que sejam gratificantes e úteis.
- – Não se exija demasiado. Caso tente resolver tudo no primeiro dia ou semana, poderá sentir-se ansioso, frustrado e cansado.
- – Evitar trabalhar fora do horário de trabalho, como consultar e-mails, atender telefonemas ou marcar reuniões.
- – Retomar as atividades que lhe dão prazer, como caminhar ao fim da tarde, ir ao ginásio, ler, ou ir ao cinema.
- – Marcar momentos de convívio com amigos e planear escapadinhas ao fim de semana, sempre que possível.
Como se costuma dizer, “o equilíbrio é o segredo da vida” e cada pessoa deve avaliar o que funciona melhor para si, tendo em conta as suas necessidades. Por exemplo, se prefere tirar as férias ao longo do ano ou deixar tudo para um único momento. É importante encontrar o seu equilíbrio, identificando o que lhe provoca maior desgaste e ajustando as rotinas. Por exemplo, perceber o que o deixa mais cansado ao fim de semana e o que torna as segundas feiras mais difíceis.
Caso os sintomas persistam ou se agravem, deve pedir ajuda.
